SANTA MARIA, the yellow

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Os Açores são 9 ilhas e eu ando determinada a conhecer todas. Assim, depois da minha última habitual passagem pelo Faial, o facto de existirem vôos directos entre Santa Maria e Lisboa que facilitam o regresso a casa, pôs-me na rota da ilha do Sol.

E não podia ter sido mais espectacular.

Os Açores realmente não param de me surpreender e de me apaixonar. Cada ilha tem os seus encantos, as suas características, a sua “personalidade” e os seus imperdíveis açorianos. Não há uma ilha igual à outra e na ilha mais antiga dos Açores descobri, entre outras coisas, uma luz que ainda não tinha encontrado nas outras.

Estas foram as coisas que mais gostei:

1 – Uma ilha de personalidade dupla

Ao percorrermos os caminhos de Santa Maria encontramos uma paisagem tão variada em apenas 97 km2, que nos dá a sensação de estarmos num local com distúrbios de personalidade. No lado Oeste (Vila do Porto, São Pedro e  Almagreira), é tudo muito mais plano, árido e seco, um autêntico baixo Alentejo além-mar, enquanto que no lado Leste (Santa Bárbara e Santo Espírito) a ilha se apresenta acidentada, com a costa recortada e cheia de vegetação, mais reminiscente das restantes ilhas do arquipélago. Esta separação de paisagem é notória no miradouro do ponto mais alto da ilha, o Pico Alto.

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2 – Perceber porque Santa Maria é a ilha amarela

Santa Maria apresenta um clima mais quente e seco, por ser a ilha dos Açores mais a Sul. Ao contrário das outras ilhas, a chuva não abunda e isso acaba por contribuir para a maior aridez dos terrenos, dando-lhe tons amarelos. É por isso que Santa Maria também é conhecida por Ilha do Sol, a aproveitar em grande abundância nas areias claras da Praia Formosa.

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3 – A Baía de S. Lourenço

A Baía de S. Lourenço é um dos locais mais bonitos que já vi. Um maravilhoso anfiteatro forrado a verde, cheio de vinhas em currais de basalto dispostos em socalcos. Uma paisagem protegida e exuberante que parece escorregar encosta abaixo em direcção a um paradisíaco mar azul-turquesa. Um imperdível açoriano.

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4 – A arquitectura mariense

Não me cansei de tirar fotografias às casas típicas marienses, casinhas brancas rasteiras com chaminés proeminentes que parecem ter sido inspiradas na arquitectura tradicional algarvia e alentejana. Terão vindo de lá os primeiros povoadores da ilha?

Destacam-se as riscas coloridas de cada freguesia pintadas à volta das janelas e portas: azul para Santa Bárbara, verde para Santo Espírito, vermelho para Almagreira e amarelo para São Pedro. Delicioso.

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5 – O Barreiro da Faneca

Conhecido como o “deserto vermelho”, o Barreiro da Faneca é uma das paisagens protegidas mais peculiares da ilha, devido à cor vermelha do solo árido e argiloso. Resultou de uma antiga escoada lávica basáltica coberta por cinzas vulcânicas que, sob a acção do clima quente e húmido, deu origem a argilas vermelhas. É um local perfeito para passeios de bicicleta.

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6 – O Poço da Pedreira

O Poço da Pedreira é outro dos locais icónicos de Santa Maria. É uma antiga zona de extracção de inertes, talhada no Pico Vermelho, onde o tom cromático avermelhado da ilha continua. O aparecimento de um espelho de água na base da antiga frente de exploração, criou uma paisagem única que convida à contemplação.

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7 – Os Anjos

Na parte norte da ilha encontramos a vila dos Anjos, uma vila muito simpática com piscinas naturais e pesqueiros. Também é o local da capela onde o genovês Cristóvão Colombo mandou celebrar uma missa após o seu regresso atribulado da América.

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8 – A Cascata do Aveiro

No extremo oposto da ilha, na Maia, freguesia de Santo Espírito, encontramos a impressionante Cascata do Aveiro com 100 metros de altura a cair pelas reentrâncias da rocha vulcânica. Para lá chegar, há um passadiço, por cima de um pequeno lago com patos.

9 – O Farol e a Vigia da Baleia

Perto da Maia, na Ponta do Castelo, o Farol de Gonçalo Velho surge como um sentinela a perscrutar o horizonte de olhos postos no oceano Atlântico e no sol poente.

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Do miradouro da Vigia da Baleia conseguimos as vistas mais fotogénicas sobre o farol e aprendemos mais sobre a época da caça à baleia.

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No fundo da escarpa, estão as ruínas da fábrica e do antigo complexo baleeiro que pode ser acedido por um íngreme mas imperdível caminho pedonal, de curva e contra curva.

10 – A Vila do Porto

A Vila do Porto, foi o primeiro lugar dos Açores a receber foral de vila. As ruas, onde podemos encontrar alguns dos edifícios mais antigos dos Açores, são facilmente percorríveis a pé passando por várias igrejas medievais e chegando até ao Forte de São Brás, onde os canhões apontados ao mar recordam o tempo dos ataques de piratas e onde começa uma das aventuras itinerantes mais apetecíveis dos Açores.

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11 – Ilha a Pé

No Forte de S. Brás começa a “Grande Rota – GR1SMA” da ilha de Santa Maria, o maior trilho pedestre dos Açores: 80km em 5 dias de caminhada. Aproveitando este percurso, os fundadores do Ilha a Pé converteram 4 antigos palheiros em Abrigos usando métodos tradicionais e materiais ecológicos, que permitem fazer a Grande Rota na totalidade pernoitando nos Abrigos. Não fizemos este trilho mas a ideia dos Abrigos encantou-nos e ficou-nos cá gravada para uma futura aventura.

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