trilho dos apalaches [em Portugal]

Portugal é um país maravilhoso e uma das coisas que cada vez gosto mais de fazer, principalmente depois do Verão, é livrar-me da litoralização estival, virar-me para o interior e procurar locais com menos densidade populacional.

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O Outono com as suas temperaturas mais amenas é uma altura óptima para fazer caminhadas e se perde para a Primavera em termos de horas de Sol, ganha certamente nas cores avermelhadas que empresta à paisagem e na diversidade da agricultura mais silvestre.

Assim, recentemente decidimos ir percorrer a “Grande Rota da Serra do Muradal – Pangeia”, com cerca de 37 km situada integralmente no concelho de Oleiros, na Beira-Baixa e no coração de Portugal. O “back to basics” que adoramos associou-se ao “vá para fora cá dentro” e a combinação não podia ter sido mais feliz.

Esta rota pedestre pertence ao Trilho Internacional dos Apalaches.

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O Trilho dos Apalaches, nos Estados Unidos, é um dos trilhos mais icónicos do planeta Terra, que atravessa a cordilheira montanhosa dos Apalaches no sentido do seu comprimento, ao longo de 3.500 km, atravessando vários estados dos EUA.

Nas últimas décadas foi criado o International Apalachian Trail (IAT) numa tentativa de ligar a cordilheira primitiva que atravessava parte do supercontinente Pangeia há mais de 200 milhões de anos atrás, antes de se ter dividido em várias cordilheiras separadas pelo Oceano Atlântico. Para além dos Estados Unidos e Canadá, existem vestígios desta cordilheira primitiva na Gronelândia, Escócia, França, Espanha, Portugal e Marrocos, que transformaram este percurso numa verdadeira odisseia geológica que interliga culturas através das montanhas. Espectacular!

Conhecida oficialmente como GR 38 – Grande Rota Muradal Pangeia, o trilho português dos Apalaches, tem o carimbo do IAT e propõe uma aproximação entre o continente americano e o europeu.

Este percurso pedestre atravessa um território de grande valor geológico ao longo de cristas rochosas quartzíticas que constituem a “espinha” da Serra do Muradal. Ao longo do percurso ora emergimos no topo das cristas para panorâmicas longínquas e miradouros espectaculares com o Zêzere em pano de fundo, ora mergulhamos em bosques verdejantes acompanhados por vários cursos de água e cascatas. Mas para além disso, este percurso conta ainda com uma “via ferrata” de 150m de extensão que, confesso, foi outra das coisas que nos trouxe à Serra do Muradal.

Dividimos esta Grande Rota em 2 etapas:

1ª etapa: Estreito – Sarnadas de S. Simão – Vilar Barroco

2ª etapa: Vilar Barroco – Orvalho – Vilar Barroco

 

1ª etapa: Estreito – Sarnadas de S. Simão – Vilar Barroco

Depois de uma alvorada solarenga no parque de campismo de Oleiros, seguimos até ao Estreito onde deixamos o carro.

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Vamos seguindo pela aldeia de São Torcato, atravessamos a EN238 em menos de nada começamos a subir em direcção à Penha Alta e à crista da Serra do Muradal.

Não se vê vivalma, somos nós nas cumeadas entre as silhuetas aguçadas e agrestes da rocha quartzítica que caracteriza esta paisagem.

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Ao longe avistamos as aldeias de Sarnadas de São Simão e Cardosa.

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Voltando para trás em direcção a Vilar Barroco, encontramos a via ferrata, para a qual é necessário ter equipamento adequado (arnês e capacete). Para a percorrer deixamos as mochilas para trás e depois voltamos para buscá-las. A adrenalina da via ferrata culmina numa vista panorâmica e dourada do fim de tarde.

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O percurso está bem assinalado.

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Mais à frente, no geossítio do Miradouro do Zebro podemos observar os materiais que constituíam os fundos marinhos, há cerca de 500 milhões de anos, e que agora surgem nos cumes da Serra do Muradal. Estes materiais foram moldados por forças compressivas derivadas da colossal colisão continental que originou a formação do supercontinente Pangeia.

A serra está coberta por vegetação, onde dominam as urzes, os rosmaninhos, as giestas e os medronheiros.

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Depois de uma descida acentuada encontramos a ribeira das Casas da Zebreira e os Poços do Mosqueiro e de Fervença e seguimos até Vilar Barroco onde também passa a ribeira e onde passamos a noite.

2ª etapa: Vilar Barroco – Orvalho – Vilar Barroco

De Vilar Barroco, uma aldeia protegida pela muralha da Serra do Muradal é uma subida de cerca de 450m de desnível por isso tomamos um bom pequeno-almoço antes de sair.

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Mais uma vez na crista da Serra, vamos percorrendo o trilho assinalado até Orvalho, que passa noutra beleza natural: a cascata da Fraga d´Água Alta, geomonumento do Geopark Naturtejo.

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A sensação de andar na crista das montanhas, longe de redes telefónicas e internet, num mundo em que a única preocupação é apreciar a natureza e ir colocando um pé à frente do outro é maravilhosa.

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Chegamos a Orvalho à hora do almoço e depois regressamos a Vilar Barroco por um trilho alternativo (a uma cota mais baixa) também ele assinalado.

 

NOTA: Como se vê pelas mochilas, fomos preparados para acampar e dormir onde calhasse, mas calhou pernoitarmos no pavilhão multi-usos de Vilar Barroco, graças à simpatia dos moradores da aldeia que nos facultaram a chave.

 

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