TERCEIRA, the lilac

2017-07-08 10.42.19

A ilha Terceira foi a terceira ilha descoberta no arquipélago dos Açores (depois de Santa Maria e São Miguel), que por sua vez foram as terceiras ilhas descobertas no Oceano Atlântico pelos portugueses (depois das Canárias e da Madeira). Não deve ter demorado muito para esta ilha, na altura, denominada de Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo das Terceiras, passar a ser conhecida apenas por Terceira.

Esta é uma das ilhas dos Açores com o que chamo de “chamariz turístico” mais activo, pelas ligações aéreas frequentes, boas infra-estruturas, festas aguerridas e gastronomia tradicional. Apesar de também se situar no grupo central, a Terceira já está fora do meu triângulo maravilha (Faial – Pico – São Jorge) que visito com mais frequência, por isso já há muitos anos que não passava por aqui.

Estava mais que na hora de ir redescobrir a ilha lilás. E estas foram as coisas que mais gostei:

1 – Passear no centro histórico de Angra do Heroísmo

A ilha da Terceira e mais concretamente Angra do Heroísmo, eram passagem obrigatória das naus que viajavam para a Índia na época dos Descobrimentos, onde se reabasteciam e eram assistidas. Isso trouxe as especiarias à gastronomia açoriana e enriqueceu os patronos locais que deixaram casas apalaçadas, contribuíram para igrejas ricas e arquitectura patrimonial abastada.

A história e património de Angra do Heroísmo, a capital histórica dos Açores e a primeira verdadeira “cidade atlântica”, fizeram com que fosse classificada Património Mundial da UNESCO em 1983.

Passear pelo seu centro histórico não é apenas um passeio ao longo de ruas pitorescas, mas também uma viagem à nossa memória colectiva e às influências na cultura portuguesa.

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1.2

2 – Investigar o interior da terra

Os vestígios da actividade vulcânica mais espectaculares da Terceira pertencem a um mundo subterrâneo que é fácil de visitar.

O mais fascinante é o Algar do Carvão, onde após passarmos por um túnel escavado pela associação de Montanheiros da ilha, entramos na chaminé de um antigo vulcão e ficamos deslumbrados pela sua imensidão, pelo tecto em abóbada, pelas espessas escoadas lávicas, em várias camadas, pelas estalactites e estalagmites que o tempo ajudou a formar e pela antiga câmara magmática onde hoje se situa uma lagoa, a 100 metros de profundidade da superfície. Estamos dentro de um vulcão adormecido, uma experiência rara no mundo.

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A Gruta do Natal é um emaranhado de túneis lávicos, que impressionam pela sucessão de longos corredores estreitos que se formaram depois da passagem de correntes de lava onde podemos observar diferentes tipos destas estruturas magmáticas.

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Nas Furnas do Enxofre a paisagem é dominada por fumarolas quentes e de cheiro intenso, um fenómeno já mais comum em terras açorianas. Existe um percurso muito agradável que nos leva pelo meio de uma paisagem cheia de verdes e musgos. 

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3 – Descobrir piscinas naturais

Na ilha da Terceira não faltam locais que merecem uma visita acompanhada de mergulho, como piscinas naturais com rochas resultantes da antiga actividade vulcânica esculpidas pela água. Alguns destes locais contam com apoio de vários equipamentos e são Bandeira Azul, outros (os meus preferidos) são apenas uma escada de acesso ao mar cristalino e transparente com meia dúzia de metros de cimento para estender a toalha.

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As piscinas naturais da Silveira, estão perto de Angra do Heroísmo e por isso são das mais frequentadas, tal como as piscinas dos Biscoitos, consideradas por muitos como as melhores da ilha. As piscinas naturais das Cinco Ribeiras, viradas para o pôr-do-sol, tiveram a sua origem na erupção do vulcão da Serra de Santa Bárbara e na costa Este da ilha estão os Salgueiros e as piscinas de Porto Martins que aproveitam a baía com mesmo nome.

As minhas preferidas, encontrei perto da Serretinha, mesmo em frente aos ilhéus das Cabras.

8.2

4 – Apreciar e percorrer a “Manta de Retalhos”

Só percebi o que era isto da “manta de retalhos” quando me vi no miradouro da Serra do Cume admirada com a paisagem infinitamente quadriculada de verdes e vacas, divididos por muros de pedra vulcânica e hortênsias.

Melhor do que a vista só percorrer a própria “manta” e os seus caminhos secundários.

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5 – Saborear a gastronomia

A gastronomia da ilha da Terceira é muito aromática e carregada de especiarias, influência do tempo dos Descobrimentos.

Um belo exemplo é a Alcatra, um ex-libris da cozinha tradicional terceirense, um prato de carne temperada com vinho e alhos, cravinho, canela e pimenta da Jamaica (depende de quem tempera), cozinhada lentamente num alguidar de barro e acompanhada por massa sovada e inhame. Delicioso! Consta que antigamente estes alguidares de barro costumavam ser as ofertas de casamento de mães para filhas para que a tradição não se perdesse, por isso, pelo sim pelo não, já fiz questão de guardar um dos que a minha avó nos deixou.

Os bolos Dona Amélia são outra tradição da Terceira, que utiliza ingredientes vindos directamente das Ilhas das Especiarias. A receita original remonta a 1901 quando a rainha Dona Amélia e o rei Dom Carlos visitaram a ilha.

Na Queijaria Artesanal nas Cinco Ribeiras podemos degustar o mais antigo queijo curado da ilha, o queijo Vaquinha, picante ou não, a acompanhar com bolo lêvedo fofinho.

6 – Visitar os impérios do Divino Espírito Santo

A partir do mês de Maio celebram-se as tradicionais Festas do Espírito Santo em todas as ilhas do arquipélago, mas é na Terceira que estas celebrações têm maior expressão, muito por influência dos 45 coloridos impérios (altares dedicados ao Espírito Santo) que são testemunha da grande devoção dos fiéis e que facilmente encontramos um pouco por toda a ilha.

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7 – Ver uma tourada à corda

No Verão, todas as freguesias organizam alegres e movimentadas touradas à corda, largadas de touros em que todos podem participar, normalmente feitas nas ruas. O touro tem os seus movimentos condicionados por uma corda segurada por um grupo de homens, mas muitas vezes a corda não está lá a fazer nada. Isso, por vezes, dá origem a grandes acrobacias na que é uma das tradições mais aguerridas da ilha da Terceira.

8 – Explorar a costa sudeste… devagarinho

Percorrer o caminho de Angra do Heroísmo até à Praia da Vitória pela costa foi uma das coisas que mais gostei de fazer, saltando de mergulho em petisco e passando por localidades como Porto Judeu, Baía da Salga, Baía da Vila, e Porto Martins. 

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9 – Chegar à Praia da Vitória

A Praia da Vitória é a segunda cidade da Terceira, uma cidade de ruas bonitas e casas coloridas, uma marina, uma zona pedonal junto ao mar que lhe dá um ambiente descontraído e a melhor praia da ilha.

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10 – Subir a Serra de Santa Bárbara

A Serra de Santa Bárbara é o ponto mais alto da Terceira de onde podemos avistar, em dias limpos, as outras ilhas do grupo central, como a Graciosa e São Jorge. Se estiver nublado, mesmo assim há grandes hipóteses de ver o Pico por cima das nuvens e ter a certeza de que não estamos sozinhos no meio do mar.

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One Comment Add yours

  1. Roadrunner diz:

    Ora aqui está um artigo completíssimo sobre a Terceira, o que até poderia dar a pensar que depois de lê-lo já nem valeria a pena visitá-la!

    Saudações!

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