qinghai railway to Tibet

O Qinghai Railway to Tibet liga Xining, capital da província de Qinghai, a Lhasa, na Região Autónoma do Tibete e o último troço de 1142km entre Golmud e Lhasa foi inaugurado em 2006 com grande euforia por parte do governo chinês.

Este é o caminho de ferro mais alto do mundo com perto de 1000 km situados acima dos 4000 m de altitude, metade dos quais construídos em permafrost.
Permafrost?… Bem, vou só dizer que esta é uma extraordinária obra de engenharia!
Mas recordes à parte, há um misto de emoção no momento em que embarcamos numa viagem de 33h num comboio que nos vai levar de Xi’an até Lhasa. Lhasa!

Para nós viajantes e train lunatics é sensacional saber que podemos chegar ao Tibete de comboio, mas rapidamente percebemos que esta linha de comboio não se destina a aumentar o turismo internacional.
Nada está escrito em inglês.

Quando embarcamos verificam os nossos passaportes, permits, e alguém nos ajuda a descodificar o bilhete para encontrarmos o nosso lugar. 
Toda a gente tem que assinar um termo de responsabilidade de saúde, por causa da viagem em altitude, incluindo nós que assinamos “de cruz” sem conseguir ler nada do que está escrito.

Em Xining trocamos para carruagens diferentes, com janelas seladas e dispensadores de oxigénio. Vamos mesmo a caminho do tecto do mundo.
 
 
As 33h até passam mais rápido do que se pode imaginar.
Conhecemos pessoas simpáticas que mesmo sem falar uma palavra de inglês, para além de nos ajudarem nas traduções, ensinam-nos umas palavrinhas de chinês, arranjam maneira de nos dar dicas sobre como preparar e o que acrescentar aos nossos noodles instantâneos, e ainda me oferecem soluções de medicina tradicional chinesa quando percebem que entretanto fiquei constipada.

Praticamente todos os que interagem connosco querem saber porque escolhemos o comboio.
Para mim, são vários os motivos pelos quais ir de comboio é sempre melhor que ir de avião: mantemos a noção da distância, vemos a paisagem, conhecemos pessoas, vamos sentados, deitados ou de pé, é mais barato.

E neste caso especifico, uma questão prática, porque a aclimatização à altitude de Lhasa (3700m) é mais fácil.
 
Pelo caminho vamos passando por planícies, montanhas, lagos e glaciares.
À medida que avançamos no Tibete parece que entramos numa terra de ninguém. Não se vê vivalma e as construções são raras à excepção da estrada que acompanha a linha de comboio e do eventual apeadeiro que nos vai informando de onde estamos e da altitude.

Vemos yaks e outros animais a pastar e uma ou outra tenda de nómadas.
 
Depois de uma China hiperpovoada, hiperindustrializada, hiperpoluída, entramos num mundo vazio de gente, de construção, de confusão.
 
Durante este percurso ficamos com a perfeita noção de porque o Tibete sempre foi considerado um dos sítios mais remotos do planeta.
Mas agora, cada vez menos, graças ao Qinghai Railway to Tibet. 

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