As pontes e a estrada

Antigamente só era possível fazer este percurso a pé.

E ainda é assim que grande parte da população que vive nas aldeias por onde vamos passando o faz: Os miúdos fardados para a escola, as adolescentes de sandálias de salto compradas na cidade, as mães com sacos de compras, os velhotes a caminho do café, os pastores com as cabras e ovelhas, todos eles sobem e descem os mesmos infinitos degraus, que os caminhantes de mochila às costas.

Para mudar de margem do rio, existem alguns pontos estratégicos onde foram construídas pontes suspensas, umas mais modernas que outras.

Mas com o passar do tempo, foi sendo construída uma estrada, feita como a maior parte das coisas no Nepal, muito à custa das populações locais, onde primeiro passavam tractores, depois camiões, depois jipes, e finalmente autocarros.

Os puristas do trekking são da opinião que “a” estrada veio descaracterizar o vale e que agora se perdeu a sensação de se estar num mundo perdido e longínquo, pois permite que se saltem etapas do trekking e porque é estranho percorrer o Vale com camiões a passarem na outra margem do Rio. “Qualquer dia fazem-se Day Tours a Muktinath de autocarro”… 

E eu até percebo. É esquisito pensar num futuro longínquo em que autocarros largam magotes de turistas no Campo Base do Everest para tirar uma fotografia e voltar para trás, quando tantos caminhantes já despenderam tanto tempo, energia e dinheiro, aguentaram o mau tempo e perseveraram para conseguir lá chegar e saborear a sua experiência exclusiva, que nunca mais será possível.
Mas isto é um exagero e está muito longe de acontecer.

É verdade que estrada no Vale do Kali Gandaki aumentou a mobilidade das populações, fazendo com que algumas vilas mais pequenas estejam a desaparecer pois já quase ninguém passa por lá. Mas faz com que as povoações maiores se desenvolvam pois facilita o comércio, e também fez com que visitantes que não têm muito tempo, tivessem a oportunidade de conhecer esta região espectacular.

Por isso a estrada é nossa amiga…

… mas são sempre as pontes que nos apaixonam.

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