Festa portátil

A caminho da estação de comboios de Varanasi percebemos que deve ser dia de festival, pois vamos passando por vários cortejos, no mínimo, carnavalescos. Estão em todas as ruas e cruzamentos, alguns nos últimos preparativos, outros já em grande animação.

Os cortejos são liderados por cavalos e cavaleiros enfeitados de roupas douradas vermelhas e verdes, seguidos de andores com estátuas e de uma infantaria de transportadores de holofotes e arcos de luzes, tipo santos populares. É tudo muito decadente, muito usado, muitos têm ferrugem e lâmpadas fundidas, as roupas estão gastas, mas isso não impede a folia.

Ora há uma banda filarmónica que segue atrás das luzes a tocar os seus instrumentos, ora a música sai de colunas transportadas num ciclo-rickshaw, seguidas dos ciclo-rickshaw que transportam os geradores de electricidade.

A multidão é maioritariamente masculina e são jovens rapazes que dançam de modo violentamente contagiante. E também lançam foguetes.
É uma festa portátil que se vai movimentando aos poucos pelas ruas da cidade. Uma visão tão desconcertante quanto improvável.

Não chegamos a perceber o que estão a festejar. 

Calculo que o tentar perceber o motivo das festas seja um hábito europeu que o português ainda não conseguiu largar totalmente.