Il Palio dela Contrade

19-Agosto-2008

O Palio é uma louca corrida de cavalos que acontece 2 vezes por ano (02-Julho e 16-Agosto), dura 90 segundos e em que tudo é possível menos tocar nas rédeas do adversário.

A primeira vez que estive em Siena, em 2001, coincidiu com o dia do Palio de Agosto e na altura aprendi que quem ganha é o cavalo e que mesmo que este perca o seu cavaleiro ainda é elegível para se tornar vencedor. Foi o que aconteceu este ano à minha contrade de eleição – Drago. Perdeu o seu cavaleiro… mas não ganhou a corrida.

Há 17 contrades em Siena que transformam esta cidade numa cidade bairrista por excelência. Há um grande sentido de comunidade que faz como que esta seja das cidades com índice de criminalidade mais baixo do planeta.
Cada contrade tem a sua igreja, museu, praça e fonte. Cada uma tem o seu padrão colorido, escolhido há séculos atrás e um símbolo animal na sua heráldica.

Dei a mim própria a fanática missão de fotografar todos os símbolos das contrades. Como não encontrei todos, suspeito que vá voltar de outras vezes para completar a missão…

16-Agosto-2001

Eu estava a gostar tanto de Florença, mas de repente alguém do nosso grupo de amigos nos diz que é urgente apanhar o próximo comboio para Siena. É o dia da corrida de cavalos.

Eu até adoro cavalos, mas “Ver uma corrida que só dura 90 segundos?” Ia contrariada.

Durou pouco tempo porque mal cheguei, Siena lançou o seu feitiço sobre mim. Encontrei uma vila vermelha pequena e parada no tempo saída de um livro da idade das trevas. Não faltavam os archotes ao lado das janelas de madeira e bandeiras coloridas que enfeitavam as ruas delimitando as “contrades”, os bairros. Cada bairro tem o seu símbolo, a sua bandeira e no dia do Palio (a corrida de cavalos) decide-se quem é o melhor, o vencedor.
Avisam-nos logo pela manhã “se quiserem ver a corrida têm que ir logo para o centro da praça Il Campo para ficarem com bons lugares”. E assim, às 14h, lá estávamos a torrar ao Sol, presos dentro da cerca. Este não é um espectáculo tradicional em que o público está fora da arena e lá dentro estão as atracções. Não, no Palio o público é que está no centro da arena, e os cavalos correm à sua volta. 
Também existem bancadas com lugares na periferia na praça mas esses são pagos a peso de ouro e esgotam com meses de antecedência. 
Aceitam-se apostas… Quem será o vencedor? Será o Porco-espinho? A Girafa? A Torre? A Tartaruga? Há 17 bairros, 17 cavalos, mas nem todos podem participar, só 10, os melhores que foram escolhidos em eliminatórias. Eu torço pelo Unicórnio, mas desta vez não participa, então elejo as cores rosa e verde do Dragão.

Nas janelas as pessoas vão-se acumulando à medida que o tempo passa, e à medida que o tempo passa o Sol vai descendo e a sombra vai invadindo a praça para nos aliviar, sortudos os que ficam por baixo da sombra da Torre del Mangia!
A Piazza Il Campo vai-se enchendo e a partir de uma certa altura já não se pode sair, só entrar. 
Finalmente começa, são 17h. É a hora do cortejo. Os gonfalonieri (porta-estandartes) vão entrando vestidos a rigor, com as cores de cada bairro, e percorrem todo o perímetro da praça atirando as bandeiras ao ar. Atrás dos gonfalonieri desfilam os cavalos depois de terem partido das suas igrejas onde foram benzidos pelo padre que lhes deu a preciosa missão “Vai e regressa vitorioso!” São eles as verdadeiras estrelas.
Os malabarismos e as palmas vão-se sucedendo contrade atrás de contrade, bandeira atrás de bandeira e só por volta das 19h se começam a juntar cavalos e jockeys no local da partida. As pessoas levantam-se, mais despertas sem o calor sufocante. E depois de algumas falsas partidas… começa a corrida!

As regras são muito especiais: é o último cavalo que começa a correr e correm sem estribos e sem sela. A multidão acotovela-se e move-se em bloco, eu sinto-me a asfixiar e os meus pés saem do chão. Quando os cavalos se aproximam confunde-se o bater do coração com a ferocidade dos cascos no chão, toda a gente se atropela, gritam efervescentes e esticam as mão para tirar fotos ao acaso.
É um delírio mas em um minuto e meio tudo acaba. E há um vencedor… Drago.
Agora é tempo de festejo. Por toda a cidade se festeja, vêem-se grupos de raparigas solteiras com cartazes à procura de noivo, as pessoas jantam na rua, o bairro vencedor percorre a cidade em comitiva agitando furiosamente as bandeiras e os estandartes do Dragão.
E nós acompanhamos… 

 

3 Comments Add yours

  1. FM diz:

    Vais mesmo ter que voltar lá, e de castigo.Então fazes a caça ás placas e estatuetas e não encontras todas…hum….cheira mesmo a desculpa para ter que voltar

  2. ana (sem log in) diz:

    eheh, eu sei, mas….o Pálio fica para a próxima….existem muitas muitas coisas pendentes para ver em Siena d’uma próxima vez..Não sei como me disseram que se via Siena em duas horas! Só lá estive meio dia e não vi quase nada…enfim…*Gosto da piazza del campo..tem uma carga de energia muito fixe mal entras nela*gosto das fotos*mais maisss

  3. Nucha diz:

    Oh não….a saga das placas nas paredes! E não é que ela tinha de tirar uma foto a todas!!!

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