Orixás e Candomblé

Hoje jantou-se cedo.
Tinhamos combinado ir assistir a uma sessão de candomblé, hoje em honra dos Orixás Oxalá e Iemanjá.
O candomblé é uma pratica religiosa afro-brasileira que derivou da proibição feita aos escravos vindos de África de adorarem as suas próprias deidades.
Assim, estes camuflaram os seus rituais fazendo corresponder santos católicos aos seus orixás, podendo reunir-se em comunidade para os seus rituais sem sofrer represálias.

Apanhamos um taxi até aos subúrbios de Salvador e quando chegamos a casa da mãe de santo – o terreiro – ouviam-se cânticos vindos da sala principal.

Disseram-nos pra vestir roupa clara, preto nunca. Assim o fizemos. Quando entramos 2 senhores vestidos de fato saudam-nos e indicam-nos onde sentar. Homens à direita, mulheres à esquerda.
A sessão já tinha começado mas não se incomodaram com a nossa chegada… supostamente não é uma celebração para turistas. 


Numa roda mulheres dançam e homens ao lado tocam instrumentos. Todos cantam e todos vestem de branco – é a côr de Oxalá – e as vestes das mulheres parecem vestidos e panos sobrepostos ao acaso. Usam turbantes também.
Os ritmos e a percussão africana são tais que vão induzindo transes aos participantes um após o outro. O corpo estremece-lhes, os olhos reviram-se. Ás vezes rebolam no chão e gritam. São apoiados por colegas que lhes tiram o turbante e indicam o caminho. Mesmo em transe continuam a dançar de olhos fechados.

Há um intervalo no ritual durante o qual servem à assistência um mingau de mandioca quente e guaraná fresco. Certificamo-os que as outras pessoas também comem antes de o fazermos, pois fomos alertados para a presença de comida nestas celebrações que nem sempre é para comer mas para utilizar nas oferendas.
Há também uma espécie de comunhão em que a “mãe de santo” serve à comunidade praticante arroz cozido numa colher. 

Na segunda parte a música e os batuques recomeçam e aparecem os sacerdotes em transe vestidos com as vestes sagradas do orixá que encarnaram. Continuam a dançar todos juntos até irem despertando do transe conjunto um a um.

No geral são celebrações muito longas e esta durou 3 horas. É sempre interessante e gratificante ter a oportunidade de conhecer coisas novas e desconhecidas… Mas pessoalmente foi um grande esforço para me manter acordada… Não sei se não terei entrado também num transe sonolento lá pelo meio…

7 Comments Add yours

  1. matreco diz:

    então?perdemos a fotógrafa e ganhamos uma escritora?gosto do texto…muito soninho deve dar realmente uma cena dessas…3 horas?

  2. as fotos hão-de chegar… mas aviso-te já caro matreco que a minha máquina sofreu um acidente fatal a meio da viagem!

  3. matreco diz:

    Sério?….lamento.sobrou alguma coisinha?espero bem que sim, era o que faltava agora, não existirem umas fotos…vá publica lá isso….

  4. Lou* diz:

    Olha adoraria assistir a um desses rituais. Fascinam-me. Mas realmente 3 horas é um bocadito.O que me surprende é o facto de eles servirem comida. Terem tal presença de espírito.

  5. Adorei seu comentaria.. sei que 3 horas parece muito porém dentro desse tempo muitas coisas aconteceram e provavelmente essa sua sonolencia te vez viajar um pouco pelo mundo espiritual? .. rsrsrsrs mais fica aqui a minha admiração parabêns… fuiiiiiiiiii

  6. alicebws diz:

    lindo texto! verdadeiro – posso dizer pois conheço a gira dos orixás. você deve ter caído em sonolência mediúnica, um tipo de trabalho do teu espírito, conectado com o portal aberto neste ritual. Parabéns!

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