‘BRBINJ’

19-Agosto-2004, Quinta-Feira

Depois da saída de Mostar, o regresso à costa da Croácia, para além de atribulado (nessa noite mudámos 3 vezes de transporte, com esperas entre eles…) fez-se com pouco entusiasmo da minha parte… tanto que nem tirei fotografias a Zadar. Acho que vinha atordoada com o que inesperadamente encontrei no dia anterior.

Nesta cidade organizam-se imensas excursões às ilhas Kornati, cerca de 170 ilhas não habitadas que também fazem parte de um parque natural onde existe um lago mais salgado que o mar etc… Queríamos fazer isso mas para hoje o plano era ir acampar numa ilha na costa de Zadar e voltar no dia seguinte à cidade.

Metemo-nos no 1º barco que saiu dali e fomos para uma ilha cujo nome só descobri meses mais tarde quando consultei um guia da Croácia na FNAC: Dugi Otok.
Na altura referíamo-nos a essa ilha através da palavra BRBINJ (já de si difícil de pronunciar) nome da localidade que vinha escrita no bilhete de barco mas mais tarde começámos a utilizar a expressão “aquela ilha onde fizemos campismo selvagem”.


Quando chegámos viam-se pessoas no cais à espera de familiares ou amigos a quem estes se dirigiram ao sair do barco. Os restantes dirigiram-se ao único autocarro que lá estava parado mas nós fomos ao posto de turismo: uma espécie de cabine telefónica com um vidro enorme através do qual se pediam as informações.

“There are no campings on this island” disse o rapaz simpático embora de sorriso apreensivo… Perguntámos se não poderíamos alugar um quarto e onde… ele respondeu que ninguém nos daria alojamento só por uma noite…. “Now what?!” pensei…. e o rapaz respondeu… apontou para um mapa as localidades de Veli Rat e Soline onde poderíamos montar a tenda ao pé do mar sem ninguém nos chatear… e depois aconselhou-nos a despachar pois o autocarro era o único e estava prestes a sair.

Completamente “ao deus dará”… metemo-nos dentro do BUS e acho que fui descomposta pelo motorista por causa do atraso… mas não percebi o que ele disse.
Dali a pouco, “deus deu mesmo”… uma senhora americana e o seu marido croata tentaram ajudar: 1º ficaram surpreendidos por estarmos ali, porque ninguém ia ali assim… mas depois mostraram os horários dos próximos autocarros (3 por dia, só na nossa metade da ilha) que levavam as pessoas para o TRAJECT (cais de embarque)… poucos minutos depois saíram.

Veli Rat é uma pequena vila com um café, um pontão e algumas casas.
Montámos a tenda num sítio porreiro afastado da vila a um muro de pedra e dois passos da água, debaixo de uns pinheiros com muita resina… A água do mar é absolutamente transparente…

Ao longe vindo dos barcos ouvia-se falar italiano.
Mas tirando isso, estávamos completamente sozinhos… tínhamos pouca água, tivemos que racioná-la “um gole para ti, um gole para mim”… e à noite lavei os dentes com água salgada…. ughhh…

Adorei!

 

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